Calculadora de Autoconsumo vs. Venda de Excedente Solar

Um quilowatt-hora que consome em casa vale o preço de retalho completo que deixa de pagar. Um quilowatt-hora que injeta na rede vale aquilo que o comercializador lhe pagar — muitas vezes um quinto, por vezes quase nada. Esta calculadora mostra-lhe a diferença.

Sem bateria, uma casa autoconsome tipicamente 25 a 40% do que os painéis produzem. Com bateria, carro elétrico ou bomba de calor, 60 a 80% é alcançável.

Como usar esta calculadora

  1. Escolha o seu país para pré-carregar um preço de compra e uma remuneração de excedente típicos.
  2. Introduza a produção anual (cerca de 1.400 a 1.700 kWh por kWp em Portugal continental, 1.300 a 1.600 no Brasil, 900 a 1.300 no norte da Europa) e o consumo da casa.
  3. Defina a taxa de autoconsumo — a parcela do que gera que consome no momento em vez de injetar na rede.
  4. Introduza o preço de venda do excedente e qualquer taxa que o comercializador desconte por kWh injetado.
  5. Clique em Avaliar o meu solar.

Autoconsumo e autossuficiência não são a mesma coisa

Estes dois números são confundidos constantemente, incluindo por instaladores, e respondem a perguntas completamente diferentes.

Taxa de autoconsumo = solar consumido diretamente ÷ total solar produzido
Taxa de autossuficiência = solar consumido diretamente ÷ consumo total da casa

Um sistema grande numa casa pequena pode ter uma taxa de autoconsumo baixa (a maior parte da produção é injetada) e uma autossuficiência alta (mesmo assim cobre quase tudo o que consome). Um sistema pequeno numa casa esfomeada é o inverso. Só o autoconsumo prevê o dinheiro, porque só o autoconsumo evita o preço de retalho.

Porque é que a remuneração do excedente colapsou

Os esquemas de venda de excedente foram desenhados quando o solar era raro. Agora que o solar do meio-dia é abundante, o seu valor de mercado ao meio-dia é baixo — e os apoios foram cortados em conformidade:

  • Portugal: a venda de excedente é remunerada a um valor indexado ao mercado grossista (OMIE), menos uma margem do comercializador. Na prática, tipicamente 3 a 6 cêntimos por kWh, contra 20 a 25 cêntimos que paga para comprar. Um kWh autoconsumido vale cerca de quatro a cinco vezes mais do que um kWh vendido. Vale a pena repetir: se conseguir pôr a máquina de lavar loiça a trabalhar ao meio-dia, ganha quatro vezes mais do que a injetar o mesmo kWh.
  • Brasil: o net metering clássico acabou. Com a Lei 14.300/2022, quem se ligou depois de janeiro de 2023 paga uma parcela crescente da TUSD Fio B sobre a energia injetada — 45% em 2025, 60% em 2026, 75% em 2027 e assim sucessivamente. Ou seja, o crédito de energia injetada vale cada vez menos, e o autoconsumo instantâneo vale cada vez mais.
  • Países Baixos: o net metering (salderingsregeling) termina a 1 de janeiro de 2027, e muitos comercializadores já cobram uma taxa por kWh injetado que anula quase tudo o que resta.
  • Espanha: o excedente é compensado mensalmente e nunca pode ultrapassar o termo de energia da fatura desse mês — tudo o que exceder perde-se.
  • Alemanha: a tarifa de injeção para sistemas novos desce por escalões e não é paga durante as horas de preço negativo.

A consequência estratégica é a mesma em todo o lado: o valor do solar deslocou-se de vender para autoconsumir. Passar cargas para o meio do dia, ou armazenar o excedente, é onde está o dinheiro.

O que o resultado lhe diz

  • Valor líquido de um kWh exportado — o preço de venda menos a taxa de injeção. Se estiver perto de zero, exportar é caridade.
  • Valor da energia autoconsumida face ao valor da energia exportada.
  • Valor perdido por exportar — quanto valeriam esses quilowatt-hora se os tivesse consumido. É este número que justifica uma bateria, um temporizador, ou simplesmente pôr a máquina de lavar roupa a trabalhar ao meio-dia.
  • Taxas de autoconsumo e de autossuficiência, lado a lado.

Uma regra útil: se um kWh exportado vale menos de um quarto de um kWh comprado, cada kWh que conseguir deslocar para as horas de sol rende-lhe mais de quatro vezes aquilo que renderia a ser injetado.

Perguntas frequentes

O que é uma boa taxa de autoconsumo?
Sem bateria, 25 a 40% é típico numa casa vazia durante o dia. Temporizadores na máquina de lavar loiça e de lavar roupa levam-na para perto dos 45%. Uma bateria, um carro elétrico carregado em casa durante o dia ou uma bomba de calor podem levá-la a 60 a 80%.
Vale a pena instalar uma bateria?
Compare o valor perdido por exportar com o custo anual da bateria (preço a dividir pela vida útil esperada). Uma bateria só ganha a diferença entre o preço de compra e o valor líquido de venda, menos as perdas do ciclo — quanto mais larga essa diferença, melhor fica o caso da bateria.
Quanto vale hoje um kWh injetado em Portugal?
Tipicamente 3 a 6 cêntimos, indexado ao mercado grossista, contra 20 a 25 cêntimos que paga para comprar eletricidade. É por isso que o objetivo de qualquer instalação em Portugal deve ser maximizar o autoconsumo, e não maximizar a produção.
Quanto vão produzir os meus painéis?
Como regra prática: 1.400 a 1.700 kWh por kWp instalado em Portugal continental, 1.500 a 1.800 no Algarve e no sul de Espanha, 1.300 a 1.600 na maior parte do Brasil, 900 a 1.100 na Escandinávia e no Reino Unido — assumindo um telhado sem sombras e com orientação razoável.
Ainda vale a pena instalar solar se o excedente vale tão pouco?
Normalmente sim — mas o caso assenta agora no autoconsumo, não na venda. Dimensione o sistema para aquilo que consegue mesmo consumir, em vez de o dimensionar para o maior sistema que cabe no telhado, e o retorno melhora.
Porque é que a minha autossuficiência é mais baixa do que esperava?
Porque o solar produz exatamente quando é menos provável que esteja em casa. É esse desencontro que as baterias e o deslocamento de cargas existem para resolver.

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