Calculadora de Fatura de Eletricidade

Descubra quanto está a pagar realmente por quilowatt-hora. Escolha o país e esta calculadora reconstrói a sua fatura linha a linha — energia, distribuição, imposto sobre a energia e IVA — usando as regras fiscais que se aplicam de facto onde vive.

Todos os campos vêm preenchidos com um valor típico de 2026 para o país escolhido — substitua qualquer um deles pelos números da sua própria fatura para obter um resultado exato.

Como usar esta calculadora

  1. Escolha o seu país. O formulário recarrega com as taxas, os impostos e os preços típicos de 2026 desse país.
  2. Introduza o consumo mensal em kWh — vem impresso em todas as faturas.
  3. Substitua qualquer valor pré-preenchido pelo número exato da sua fatura (o preço unitário do comercializador, a tarifa de acesso às redes, o termo fixo).
  4. Clique em Decompor a minha fatura para ver cada componente, o total e — o número que interessa — o seu preço real do kWh.

Porque é que multiplicar kWh pelo preço dá o número errado

Quase todas as «calculadoras de conta de luz» da internet fazem isto:

Fatura = kWh × preço × (1 + IVA)

Essa fórmula está errada em quase toda a Europa e no Brasil, e a razão é simples. O IVA não é uma constante: 25,5% na Finlândia, 27% na Hungria, 23% em Portugal (ou 6%, já lá vamos), 21% nos Países Baixos, 19% na Alemanha, 10% na eletricidade doméstica em Itália, 9% na Irlanda, 5% no Reino Unido, 7% na Tailândia. O imposto sobre a energia também não é constante — e é cobrado antes do IVA, pelo que paga IVA sobre o imposto. E em vários países é a própria ordem das operações que muda o total:

  • Portugal: o IVA é de apenas 6% nos primeiros 200 kWh por cada 30 dias — mas só se a potência contratada for igual ou inferior a 6,9 kVA. Com 10,35 kVA paga 23% sobre todos os kWh, sem exceção. É a regra mais cara do país e quase ninguém a conhece.
  • Espanha: aplica o imposto especial sobre a eletricidade (5,11%) ao termo de energia e ao termo de potência, soma depois o aluguer do contador e só então aplica 21% de IVA.
  • França: desde 1 de agosto de 2025, o IVA da eletricidade é de 20% tanto no termo fixo como no consumo; as fórmulas antigas com 5,5% no termo fixo já não servem.
  • Hungria: vende eletricidade a preço subsidiado até uma quota anual e depois praticamente duplica o preço unitário.
  • Tailândia: fatura em escalões progressivos, soma o ajuste de combustível Ft por unidade e aplica 7% de IVA a tudo.

Esta calculadora implementa cada uma dessas cadeias em separado. É exatamente para isso que ela existe.

O número que ninguém lhe mostra: o preço real do kWh

O seu comercializador anuncia um preço unitário. Não é isso que paga. Depois de somar o acesso às redes, o imposto sobre a energia, o termo fixo diluído pelo consumo e o IVA sobre tudo isso, o custo verdadeiro de um quilowatt-hora costuma ser 40 a 100% mais alto do que o preço anunciado.

Preço real do kWh = fatura total com todos os impostos ÷ kWh consumidos

Este é o único valor que faz sentido usar para decidir se vale a pena pôr a máquina de lavar a trabalhar de noite, se uma bomba de calor bate a sua caldeira a gás, ou se vender excedente solar à rede vale alguma coisa. Todas as outras calculadoras deste site que lhe pedem um «preço por kWh» querem este número, não o do tarifário.

Repare também no comportamento do termo fixo: por ser fixo, torna cada kWh mais caro quanto menos consumir. Uma casa com 100 kWh por mês paga uma tarifa efetiva muito superior à de outra com 500 kWh exatamente no mesmo tarifário. É por isso que os consumos baixos são os mais penalizados por encargos fixos elevados.

Brasil: a bandeira tarifária e o ICMS «por dentro»

No Brasil a cadeia é outra, e praticamente todas as calculadoras de conta de luz erram no mesmo ponto.

A bandeira tarifária (verde, amarela, vermelha patamar 1 e vermelha patamar 2) acrescenta um adicional por cada 100 kWh consumidos. Até aqui, simples. O erro está no que vem a seguir: o adicional da bandeira entra na base de cálculo do ICMS, do PIS e da COFINS, e o ICMS é cobrado «por dentro» — ou seja, incide sobre um valor que já o inclui, através de um gross-up:

Tarifa com ICMS por dentro = tarifa sem imposto ÷ (1 − alíquota do ICMS)

Com 25% de ICMS, o divisor é 0,75 — o que equivale a um acréscimo de 33,3%, e não de 25%. Somar o ICMS «por fora» subestima o imposto, e somar a bandeira fora da base fiscal subestima-a outra vez. Na prática, o impacto real de uma bandeira vermelha é 15 a 30% superior ao adicional anunciado. Introduza aqui as suas alíquotas e o cálculo é feito na ordem certa.

E um dado que resolve metade das dúvidas sobre contas altas no Brasil: o chuveiro elétrico representa tipicamente 25 a 40% da conta de uma família. Não é a televisão nem o roteador — é o banho. Um chuveiro de 5.500 W usado 8 minutos por dia por quatro pessoas consome cerca de 90 kWh por mês.

O que o resultado lhe diz

  • Total por mês — todos os componentes, incluindo impostos.
  • Decomposição linha a linha — energia, redes, imposto, encargo fixo, IVA. Se a sua fatura discordar de uma destas linhas, encontrou a linha a contestar.
  • Preço real por kWh — o custo verdadeiro de uma unidade de eletricidade para si.
  • Peso dos impostos — quanto da fatura é imposto e não eletricidade. Em vários países europeus ultrapassa um terço.
  • Custo anual — o valor mensal projetado a doze meses.

Nada do que escreve sai do seu navegador: o cálculo inteiro corre localmente no seu dispositivo.

Perguntas frequentes

Porque é que o preço real do meu kWh é muito superior ao do tarifário?
Porque o preço do tarifário é apenas a componente de energia. O acesso às redes, o imposto sobre a energia, o termo fixo e o IVA somam-se por cima, e o IVA incide também sobre os impostos. A tarifa efetiva fica tipicamente 40 a 100% acima do preço anunciado.
Em Portugal, quando é que pago 6% de IVA e quando pago 23%?
O IVA reduzido de 6% aplica-se aos primeiros 200 kWh por cada 30 dias, mas apenas se a potência contratada for igual ou inferior a 6,9 kVA. Acima disso — em 10,35 kVA, por exemplo — todos os kWh são tributados a 23%. Baixar a potência para 6,9 kVA recupera a taxa reduzida e reduz o termo de potência ao mesmo tempo.
Como funciona a bandeira tarifária no Brasil?
A bandeira (verde, amarela, vermelha P1 ou P2) acrescenta um valor por cada 100 kWh consumidos. O detalhe que quase todas as calculadoras ignoram é que esse adicional entra na base do ICMS, do PIS e da COFINS, e o ICMS é cobrado por dentro. O impacto real na conta é 15 a 30% maior do que o adicional anunciado.
Onde encontro estes números na minha fatura?
O preço unitário e o termo fixo vêm do tarifário do comercializador. A tarifa de acesso às redes vem do operador de distribuição — na maioria dos países é uma empresa diferente, faturada à parte ou como linha da mesma fatura. O imposto e o IVA são discriminados por lei.
A calculadora usa preços de eletricidade em tempo real?
Não, e é deliberado. Usa os seus números. Os sites de preços em direto dependem de feeds diários e desatualizam-se; esta ferramenta pede-lhe os valores da sua própria fatura, pelo que a resposta é correta para si e não para uma casa média.
Posso usá-la num país que não está na lista?
Sim. Escolha qualquer país cuja estrutura de faturação se pareça com a sua — energia + redes + imposto + IVA é o modelo padrão quase em todo o lado — e substitua todos os valores pelos seus. A matemática não olha à bandeira.

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